sábado, agosto 12, 2006

Rapazito

«Admiro a tecedora porque tem consentido
que a assemelhem à poesia.
Mesmo com os cílios a perturbar-lhe
o movimento dos fios e os dedos
tocados por uma estanha resignação
ela tece os caudais líquidos
que escorrem na sensibilidade do poeta
desde que era criança…»


Fiama Hasse

Depois da flor quieta e doce em que o meu tronco floresceu, um botão irrequieto e vivo brotou a completar o sonho de copa larga e refrescante.

Os fios brilhantes de muitas cores, em que cresci, rolam sem descanso entre os dedos quando a mente cansada procura a paz. Aí pousam minhas abelhas famintas cujas patas se enchem de pólen e as asas levam ao sabor da brisa no rumo certo da colmeia. E também as borboletas. E o beija-flor.

É que a minha colmeia é o mundo dos continentes. De aquém e de além-mar, das origens algures no Nascente ao pôr-do-sol no Novo Mundo, com pegadas nos velhos continentes, quero ser sal e cinza no mar aberto, e espírito que vai concretizar os sonhos que não cumpri. Pensar o presente é fincar os pés no passado e saltar ao futuro que ainda se oferece.

Um lenço de namorados é um cantar de amigo, quase nunca registado pela donzela.

Este é para o meu filho. Um bordado de vida.

4 comentários:

naturalissima disse...

Mas que belas palavras, como fios de seda que bordam um maravilhoso poema!
Gostei muito, amiga.
Um beijinho grande e um bom fim de semana
Daniela

amigona disse...

Que lindo bordado amiga! E um bordado que se constrói ao longo da vida! Beijo...

naturalissima disse...

Olá amiga
Tu és uma querida!
Obrigada pelo teu lindo comentário.

Um beijinho
Daniela

rouxinol de Bernardim disse...

Gostei muito da sensibilidade e da mensagem plena de razão! Esses lenços são uma relíquia!!!