terça-feira, março 10, 2009

Memorial


CÓLOFON OU EPITÁFIO

Trinta dias tem o mês
e muitas horas o dia
todo o tempo se lhe ia
em polir o seu poema
a melhor coisa que fez
ele próprio coisa feita
ruy belo portugalês
Não seria mau rapaz
quem tão ao comprido jaz
ruy belo, era uma vez


Ruy Belo























Um cemitério é um lugar de paz.


Ainda os há recatados e simples, para além de uma cancela, atrás de uma igreja humilde. E poetas descansando sob as palavras que escreveram em vida, quem sabe sonhando mais tempo para outros dizeres.


S. João da Ribeira é pouco mais que um largo cuidado a seu modo, enfeitado a azulejos, como convém. Ao fundo, a igreja de torre e poço de pedra a contarem da presença dos mouros, logo a seguir o lugar de repouso eterno. Ali nasceu Ruy Belo e a sua lembrança jaz numa campa rasa e sem flores.


Talvez ele a quisesse assim.


8 comentários:

Rafael disse...

O ato de escrever perpetua se na vida.

Justine disse...

A ironia do epitáfio aponta para que sim, que era assim que ele a queria!
Abraços

bettips disse...

Comovente, controverso.
Foi importante saber como encarou a morte que anunciou tão antes, no seu enorme gesto-escrito de poeta.
Bjinho

heretico disse...

não conhecia o poema. nem a atitude do poeta perante a morte.

gostei de saber. sobe o poeta mais uns pontos na minha predilecção.

beijo

Rocha de Sousa disse...

Um cemitário assim, «igual» àquele de que tenho falado e publicado fo-
tografias, é da facto «um lugar de
paz». Ruy Belo, antecipando um re-
pouso assim, escreveu para si o que
terá desejado para outros poetas. O
poema tem essa beleza, a da anteci-
pação da serenidade inventada por nós, aqui e além, para depois da
moorte.
Rocha de Sousa

Klatuu o embuçado disse...

Ah, havia mais fotos... ;)

Beijinho.

Paula Raposo disse...

Uma belíssima homenagem a um grande Poeta que cedo partiu para outro lugar. Ele queria assim. Beijos.

M. disse...

A morte assim pensada na sua simplicidade. Fantástico!