terça-feira, setembro 11, 2007

Adeus praia...

«O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo»


Sophia de Mello Breyner Andresen







3 comentários:

Barão Van Blogh disse...

"Dóceis contornos esculpidos a cinzel
Que reflectem a frescura da sua pele"

vidavivida disse...

Esses pés, esses pés!!!!!!!!!!
Creio que são o orgulho da sua dona ou não será? Bonitos sem dúvida.
Um beijinho.

naturalissima disse...

Bela despedida em sequência fresca, descontraída de quem está bem consigo mesmo e com a natureza.
Gostei muito de te sentir assim.