sexta-feira, setembro 01, 2006

Espera

«O João dorme… (Ó Maria,

Dize àquela cotovia

Que fale mais devagar:

Não vá, o João, acordar…).»

António Nobre




Estou aqui, pousada na balaustrada.

Sobre o mármore, espero o vento outonal que enfeita o céu de algodão e varre as folhas cansadas de verde. E traz as rolas novas.

Não é verdade que o Outono só anuncia a tempestade. Com ele apenas chega mais frio. Mais frio e depois a neve. Os sabores mais fortes do que nos sustenta o corpo, os fumeiros, o odor do queijo, do mosto, o sabor do vinho novo. E as castanhas.

O afago doce das malhas, das camisolas de lã, as meias, os garruços, o cachecol enrolado que cobre a boca e as orelhas.

Venha então a neve. E os bonecos de nariz de cenoura. E o desporto que não sei contar, mas sei dos que dele sentem a volúpia.

Eu gosto do primeiro arrepio do Outono.

3 comentários:

dakidali disse...

Deixe lá o Verão ainda por cá, carrega-nos as baterias.
Hoje lá fui e vi o seu horário...
Beijinhos

planaltobie disse...

Pergunto: o texto é seu?
Gostei dessa nostalgia pela chegada do Outono. Um sentimento renovado dito numa prosa bela. Parabéns!

jawaa disse...

Obrigada, meus amigos, sempre.
Vou continuar a dizer umas palavritas, mesmo de férias!
Umas fotos de certeza, só que a mestra das minhas fotos habituais fica em terra... vamos ver o que consigo fazer.
Beijinhos aos dois