terça-feira, novembro 09, 2010

Marcas, marcos


E ao entardecer, quando se firmar no alto dos pinhais a tentadora coroa de nuvens, não abrirei o meu caderno de apontamentos, e menos ainda a Monografia. Ficou-me de emenda. Para a próxima terei o cuidado de escolher outra leitura, de preferência um canto de alegria. Um livro deste tempo e desta hora, que não traga a lagartixa na portada como um ex-líbris ou como uma pluma imposta sobre o granito.

José Cardoso Pires in «O Delfim»


Não gosto de ouvir o vento a bater nas janelas despudorado a silvar nas frinchas em assobios.

Ele é o arauto do inverno, traz a chuva e o frio, despenteia as árvores e verga-as, leva-lhes a roupagem deixando-lhes os braços nus. Inquieto e repentino, como vem assim desaparece, levando consigo as nuvens. Limpa o céu, deixa pousar o frio e a geada.

É tempo do vinho novo, das castanhas, das azeitonas para colher, que o Natal vai precisar de azeite para as filhós e para acender as candeias. É hora de trazer para casa as pinhas e a lenha para a lareira.

A preciosidade destas fainas vai-se apagando com cada geração que passa, os ventos do progresso levam as cinzas que repousam depois do lume. Não há forma de escapar-lhes, há que seguir com eles sob pena de sucumbir à solidão e ao atraso (?)
.
À medida que os anos somam, as encruzilhadas da vida retêm pegadas que ajudam ao caminho a seguir, assim saibamos ler os sinais.


1 comentário:

Justine disse...

Estesc ciclos continuam ainda, serenos e imutáveis, e ai de nós que não continuassem. Só que há muita gente que não os conhece, e a esses falta-lhes o essencial...