Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;não me bandeio (que eu já vi esse filme...)com gerações perdidas. Mas senta aqui, mendigo:vamos fazer um esparguete dos teus atacadorese comê-lo como as pessoas educadas,que não levantam o esparguete acima da cabeçanem o chupam como você, seu irrecuperável! E tu, derradeira geração perdida,confia-me os teus sonhos de purezae cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia... Por que não põem cifrões em vez de cruzesnos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer? Gosto deles assim, tão sem futuro,enquanto se anunciam boas perspectivaspara o franco frrrrançaise os politichiens si habiles, si rusés, evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
[…] Saber viver é vender a alma ao diabo,a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,a um satanazim que se dá por contentede te levar a ti, de escarnecer de mim... Alexandre O´Neill A marcha mais lenta no espaço – e mais veloz no tempo – do fim da estrada em que perfazemos os dias, deixa lugar para a contemplação do caminho percorrido.
Cada um de nós, como um insecto, cumpre as metamorfoses e constrói o seu casulo, mais ou menos tecido, mais ou menos perfeito na sua forma. Seja na aridez do deserto ou na humidade das margens frondosas do rio ou ainda na fundura das neves ou dos mares, o ninho foi tomando forma. Viver no campo, na escarpa da montanha alta olhando o vale ou na grande metrópole novaiorquina, cada ser se enrola na sua teia de seda, algumas de janela aberta por uma simples máquina, passível de ser desligada ao menor sopro de vento.
Mesmo quando a borboleta acontece em insecto perfeito, o caminho difere porque as asas também, e se o perfume apela à distância, nem sempre o vento corre de feição. Então é preciso ainda lutar quando os olhos pintam de azul as flores, de vermelho os céus e de verde as chamas. Quando as lágrimas toldam o riso e se abraça o sonho de que já não se acorda.
Assim é o caminho dos homens e dos bichos.






