Mostrar mensagens com a etiqueta Augusto Gil - Ano Novo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Augusto Gil - Ano Novo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Boas Entradas!

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…[…]


Augusto Gil






E a noite fez-se. Mais uma igual a quase tantas nestes últimos mais de trinta anos.

O que são trinta anos numa vida a beirar os setenta? São aprendizagem, aprendizagens de amor e de raiva, de saudade e de dor pelos que deixaram de estar presentes porque já não voltam, de saudade e de esperança pelos que estão ausentes e esperamos que voltem.

Enquanto ainda somos nós.

O dia é igual a tantos outros mas a noite nunca é a mesma. Em cada ano há uma estrela mais, um fulgor a menos, são alegrias que mentem, são desamores que não se escondem, são pequenas ternuras felizes. Os velhos, cada vez mais velhos, os novos cada vez menos novos, aprendendo a vida, quantos bem longe da fogueira familiar onde o gato esquivo se achega sem temor.

Aqui não há neve, mas há frio e geada.

Mas o ano está no fim da rua e a Primavera logo ao virar da esquina.



Feliz Ano Novo!