Adieu, Gringoire!
L´histoire que tu as entendue n’est pas un conte de mon invention. Si jamais tu viens en Provence, nos ménagers te parleront souvent de la cabro de mousu Seguin que se battégue touto la nuei emé lou loup, e piei lou matin lou loup la mangé.
Tu m’entends bien, Gringoire :
E piei lou matin lou loup la mangé.
Alphonse Daudet
Acordar madrugada abrindo, ao som da chuva soprada de vento ou simplesmente pingando dos beirais, deixa-me quieta, sem abrir os olhos. Posso fantasiar um outro espaço, posso até abrir o meu cesto mágico.
Ele está cheio de todas as histórias que me guarneceram a infância como as camélias matizam agora a primavera. E são de todas as cores: de raposas matreiras e fadas boas, de princesas más que se transformavam em gatas, de meninas que conviviam com bichos – Bonne Biche, Beau Mignon – meninos que corriam mundo entre as asas de um ganso, aquela D. Redonda que, feita missanga colorida, entrou no mundo das formigas; do Sandokan, de piratas, de viagens sobre e por baixo da terra. Só mais tarde Walter Scott e Ponson du Terrail, Delly dos príncipes russos e das valquírias.
Há a releitura dos contos de crianças – o Capuchinho Vermelho de Perrault, a Alice no País das Maravilhas – puras alegorias, alguns nos deixam imagens de escrita belíssimas como aquele conto impar da cabra do Sr. Séguin, enfim liberta da corda que a prendia, que vive um último dia de liberdade plena, de euforia, de exaltação, inebriada pela montanha que a recebeu em festa: os abetos em vénias porque nunca tinham visto nada tão bonito, os castanheiros dobrados para acariciá-la com a ponta dos seus ramos, as flores douradas e as campânulas azuis espalhando perfume em seu redor. Só até ao crepúsculo. Até a noite chegar.
Os contos de encantar da Xerazade, os contos suaves do Natal, a Dama Pé-de-Cabra e a Aia, deixaram-me o gosto de os ouvir, de os contar, de os ler, mesmo os contos de Torga talhados em rocha dura. Mas os meus aprazimentos estão com Aquilino e a sua prosa riquíssima de metáforas e figuras que me deliciam.
Quando regressei, não passava de um pied-noir.












